A premissa de que um dia ruim sempre pode piorar ganha contornos bastante dramáticos na vida de Tak Dong-gyunh. Interpretada por Park Bo-young, a protagonista da série “Desgraça Ao Seu Dispor” já carrega o pesado trauma da perda dos pais e, para agravar a situação, acaba de receber o diagnóstico de um câncer cerebral maligno. Totalmente desiludida com o próprio destino e com o coração inundado de mágoa, ela clama aos céus para que seu sofrimento termine rápido. Quem capta essas preces desesperadas é Myul Mang, papel do ator Seo In-guk. Ele atua como uma entidade celestial encarregada de fazer a ponte entre as realidades da Terra e do Céu. Tocado pela tragédia pessoal da garota, o ser místico decide intervir e propõe um acordo ousado.
O Preço de um Desejo
Dong-gyunh ganha a chance de viver a vida que sempre sonhou durante 100 dias, sob a condição de pagar um preço altíssimo quando o anjo da morte vier buscar sua alma. A dinâmica entre a mortal e o ser celestial, no entanto, rapidamente foge do controle estabelecido. O convívio diário faz com que Myul Mang desenvolva sentimentos românticos pela jovem, abalando seriamente seu trabalho e o delicado equilíbrio entre o mundo humano e o espiritual. O casal então se vê forçado a encontrar um desfecho para essa história sem colocar ambas as dimensões em risco de colapso.
Lançada originalmente em 2021, a produção sul-coreana mistura os gêneros de fantasia e comédia romântica ao longo de 16 episódios, com cerca de uma hora de duração cada. A atração, que pode ser conferida nos catálogos da Netflix e do Viki Rakuten, conta ainda com uma constelação de talentos no elenco, incluindo Lee Soo-hyuk, Kang Tae-oh, Shin Do-hyun, Jing Ji-so e Lee Da Won.
A Retomada Histórica nas Bilheterias
Enquanto os doramas consolidam a hegemonia da Coreia do Sul nas plataformas digitais, o cinema tradicional respira aliviado com os seus próprios fenômenos. O filme “The King’s Warden” surge como a grande potência do momento, caminhando a passos largos para entrar no cobiçado clube de 10 milhões de espectadores. O drama histórico, conduzido pelo diretor Jang Hang-jun, aproveitou o grande impulso gerado pelo feriado de Ano Novo Lunar e já ultrapassou a marca de 4 milhões de ingressos vendidos. Segundo dados do Conselho de Cinema Coreano, a obra atingiu seu ponto de equilíbrio financeiro e agora domina o mercado interno de forma absoluta.
Na indústria cinematográfica sul-coreana, o triunfo de uma produção é medido tradicionalmente pela quantidade de ingressos comercializados, não pela arrecadação financeira bruta. Chegar aos 10 milhões é o grande atestado de que um longa se tornou um verdadeiro blockbuster. O mercado precisava urgentemente desse fôlego. Embora o ano de 2024 tenha entregado grandes sucessos como “Exhuma” e “The Roundup: Punishment”, o ano anterior passou em branco, sem produzir sequer um grande hit nesse patamar. Grande parte dessa estagnação ocorreu por causa da migração maciça de investimentos para o mercado de streaming. Para se ter uma ideia clara do declínio recente, as bilheterias registraram apenas 105,48 milhões de admissões anuais, praticamente a metade do volume de 200 milhões de ingressos que costumava circular anualmente antes da pandemia de COVID-19.
O Peso do Elenco e a Aclamação da Crítica
A narrativa que vem lotando as salas escuras resgata a história de Danjong, o sexto rei da famosa Dinastia Joseon, que esteve no poder entre 1392 e 1910. Após ser deposto e banido por seu próprio tio, o jovem monarca é exilado em um vilarejo remoto. A trama acompanha a construção de um vínculo profundo e totalmente improvável entre o rei vivido por Park Ji-hoon e Eom Heung-do, o líder da aldeia interpretado pelo veterano Yoo Hae-jin. Apenas na segunda-feira de feriado, o longa levou mais de 537 mil pessoas aos cinemas. O número impressionante marcou a melhor audiência diária em um período de Ano Novo Lunar desde março de 2020.
As taxas de reserva de ingressos continuam escalando, impulsionadas pela recepção entusiasmada do público e pelos elogios da mídia especializada. O tom do filme tem sido apontado como seu maior acerto. O prestigiado crítico Lee Dong-jin destacou a ressonância emocional profunda da obra, enquanto a imprensa elogia o diretor Jang por sua habilidade em preencher as lacunas frias dos registros oficiais com calor humano genuíno. A química afiada entre os protagonistas sela o sucesso da produção. Um espectador comovido resumiu o sentimento geral em um portal de críticas, afirmando que a tragédia histórica ganhou uma releitura sensível e que o olhar expressivo do ator Park Ji-hoon deixou o público em prantos. Aclamado em todas as frentes, o longa não apenas honra o passado do país, mas também injeta uma dose vital de esperança na indústria cinematográfica.