O cinema tem dessas coisas: ciclos que se fecham e outros que insistem em ganhar fôlego novo quando a gente menos espera. Recentemente, Brendan Fraser deu as caras no sofá do Jimmy Fallon e, entre uma piada e outra, soltou o que todo fã de aventura dos anos 90 queria ouvir. Sim, A Múmia 4 está saindo do papel. E o jeito que o cara escolheu para “entrar no personagem” de novo foi, no mínimo, curioso: ele foi dar uma volta na montanha-russa temática da franquia no parque da Universal.
Fraser, que agora está com 57 anos, parece estar encarando esse retorno com um misto de empolgação e aquele choque de realidade de quem precisa “colocar as engrenagens para funcionar” de novo. O Fallon até mostrou uma foto dele no brinquedo, com aquela cara impagável de quem está no meio da queda livre, e o ator não perdeu a chance de brincar com a situação. O clima era de reunião de velhos amigos, especialmente com a confirmação de que Rachel Weisz está de volta como Evelyn O’Connell. Depois de ter ficado de fora do terceiro filme lá em 2008, o retorno dela é o selo de autenticidade que faltava para esse projeto, que agora fica nas mãos da dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett — os mesmos que deram um sangue novo para a franquia Pânico.
Do Deserto para o Dia D
Mas nem só de maldições egípcias vive a nova fase do Fraser. Ele também aproveitou o papo para falar de Pressure, um drama de guerra que estreia agora em maio. Dessa vez, o desafio é encarnar ninguém menos que o General Dwight D. Eisenhower nos momentos tensos que antecederam o Dia D. O engraçado é que o próprio ator confessou que não se achava nada parecido com o “Ike”, até que o diretor Anthony Maras mandou uma montagem comparando os dois. O argumento foi matador: “É, realmente, sou eu ali”.
O filme foca num recorte bem específico e pouco explorado: a influência de um meteorologista britânico que convenceu o comando aliado a adiar a invasão da Normandia por causa do clima. É o tipo de história de bastidor que muda o rumo do mundo. Fraser resumiu bem a lógica da coisa citando o próprio Eisenhower: no fim das contas, os aliados só tinham “previsores do tempo melhores que os alemães”. E entre um assunto sério e outro, ele ainda tirou um tempo para rasgar elogios à Sadie Sink, sua colega em A Baleia, que está brilhando como Julieta nos palcos de Londres. Para ele, Sadie nasceu para o papel, e convenhamos que ser validada pelo próprio “paizão” do cinema é para poucos.
O Feitiço da Nostalgia não Quebra
Falando em retornos que mexem com a memória afetiva, a Disney parece ter entendido que a nostalgia é a galinha dos ovos de ouro da vez. Se você é do tipo que não passa um Halloween sem rever os clássicos, saiba que Abracadabra 3 entrou oficialmente em desenvolvimento. A estratégia faz todo sentido: associar um filme a um feriado é garantir que ele seja assistido religiosamente todo ano.
Depois do sucesso do segundo filme em 2022, que quebrou um jejum de quase 30 anos, as irmãs Sanderson — interpretadas pelas icônicas Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy — devem retornar para fechar essa trilogia. A grande diferença agora é que, ao contrário da sequência anterior que foi direto para o streaming, o terceiro capítulo deve ganhar as telas dos cinemas. O projeto chegou a ficar num limbo depois de algumas mudanças na diretoria da Disney, mas agora parece que a engrenagem voltou a girar.
No fim das contas, a gente pode até reclamar dessa enxurrada de remakes e continuações, mas a verdade é que o público consome. Seja vendo o Brendan Fraser tentando se colocar em forma para enfrentar múmias aos 50 e tantos anos, ou acompanhando bruxas atrapalhadas em Salem, existe um conforto em reencontrar personagens que fizeram parte da nossa infância. Se o resultado entrega o que o fã quer, quem somos nós para julgar o próximo ingresso vendido? O plano da Disney com produções como Sexta-Feira Muito Louca 2 e Abracadabra só prova que, às vezes, olhar para trás é o melhor jeito de seguir em frente em Hollywood.